Editorial - 19/01/2010 17:07
Comunicação como direito humano

Na última segunda-feira, dia 18 de janeiro, entidades ligadas à defesa dos direitos humanos realizaram um encontro em defesa do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). A reunião se deu porque o Programa foi alvo de críticas vindas de diferentes setores da sociedade.

Entre as críticas, está a de que o PNDH-3, ao propor a criação de um marco legal estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão, estaria censurando a mídia. Situação semelhante se deu durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009, e o tema promete se manter em pauta na 2ª Conferência Nacional de Cultura, que acontece em março.

A diretriz 22 do PNDH-3, que trata da “garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para a consolidação de uma cultura em Direitos Humanos”, foi contestada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), que afirmaram, em nota emitida no dia 8 de janeiro, que o decreto significava uma “ameaça à liberdade de expressão”.

O plano nada mais pretende do que ratificar os artigos 220 e 221 da Constituição Federal, propondo “a criação de um marco legal estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão”. E, em caso de desrespeito, o plano prevê sanções aos veículos infratores. Proposta semelhante já havia sido implementada no primeiro PNDH, elaborado em 1995, que propunha “o mapeamento dos programas radiofônicos e televisivos que estimulem a apologia do crime, da violência, da tortura, das discriminações, do racismo, da ação de grupos de extermínio, de grupos paramilitares e da pena de morte, com vistas a identificar responsáveis e adotar as medidas legais pertinentes”.

Paralelo a esta discussão, e longe das páginas dos jornais, no último dia 15 foi lançado no Brasil o livro Liberdade de Informação: um estudo de direito comparado, escrito por Toby Mendel, Conselheiro Legal da ONG internacional Artigo 19, que luta pelo direito à liberdade de expressão e informação. A obra, já publicada em vários idiomas, aborda a importância do livre fluxo de informações e ideias como mecanismo fundamental para um efetivo respeito aos direitos humanos.

A obra, lançada no Brasil pela Unesco, com apoio da Secretaria Estadual do Planejamento de Mato Grosso, apresenta a questão do direito à informação e faz uma análise comparativa da legislação referente ao assunto em 14 países, destacando aspectos positivos e problemas das leis em vigor ao redor do mundo. O estudo é publicado em português em momento oportuno. Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei de acesso a informações públicas que deve ser aprovado em março, o que fará com que o país seja o 12° da América Latina a garantir esse direito à população.

No mais, a efetivação das propostas do PNDH-3 depende da continuidade de um processo que pode levar anos. Os próximos passos são a elaboração de propostas de lei, a aprovação no Congresso, no Senado, e, a partir daí, a colocação em prática dessas leis.

Tanto a proposta do Programa Nacional de Direitos Humanos como da Confecom estão muito mais próximas do direito ao acesso a informações públicas e da introdução de mecanismos efetivos para que a população tenha acesso à informação, do que de qualquer coisa se assemelhe à censura aos meios de comunicação. Mas não são poucas as vozes que tentam, há tempos, impedir que este assunto entre na agenda política brasileira.

Leia a matéria Polêmicas em torno do PNDH III

 

 

Compartilhe: Tweet esta página  Crie um favorito no Del.icio.us  Crie um favorito no Google Bookmarks  Crie uma favorito desta página no Facebook  Compartilhe no Live  Compartilhe no LinkedIn  Compartilhe no MySpace  Crie um favorito desta página no Stumbleupon  Compartilhe no Yahoo  Digg 

 

 
Desenvolvimento
A terra é de quem?
 
Serviço
Eventos gratuitos na Maré
 
Serviço
Brasil em Cartaz
 
Editorial
A soberania do Estado
 
Educação
Ações Afirmativas na UFRJ
 
Direitos Humanos
Tortura no Brasil
 
Direitos Humanos
Um passo em busca da paz
 
Direitos Humanos
Acessibilidade Cultural
 
Serviço
Comunicação e políticas públicas
 
Serviço
Especialização em Gênero e Sexualidade
 
     
Cadastre-se e receba o nosso boletim.