Com o tema “Construindo Diretrizes da Política e do Plano Decenal”, a VIII Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente será realizada entre os dias 7 e 10 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O evento consolida as formulações levantadas ao longo de 2009 na série de etapas municipais e estaduais, onde foram discutidas e delineadas propostas para a afirmação dos direitos de crianças e adolescentes.
Segundo a Subsecretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente e Presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - Conanda, Carmen Silveira de Oliveira, a oitava edição da Conferência é um marco para a história dos direitos da criança e do adolescente. “É a primeira vez, desde a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, que vamos construir coletivamente diretrizes para a conferência”, revela a subsecretária.
De acordo com Carmen Oliveira, também é a primeira vez que o país vivenciará um planejamento de políticas a médio prazo em prol de crianças e adolescentes. O Plano Decenal da Política dos Direitos da Criança e do Adolescente, documento que será um dos desdobramentos da Conferência, é uma experiência destacada por Carmen Oliveira diante do cenário das políticas de proteção, promoção e defesa dos direitos de meninas e meninos brasileiros e da história das conferências deste campo, realizadas no país até hoje.

Foto: Ratão Diniz / Imagens do Povo
Outro elemento que diferencia esta edição é o incentivo à participação de adolescentes na agenda prevista para os dias da reunião. “Diferente da edição anterior, que ocorreu em 2007, agora há uma consolidação dos adolescentes como delegados. Um terço das vagas de delegados será destinada a adolescentes, quase o triplo da sétima conferência”, observa Carmen de Oliveira.
A Conferência Nacional, organizada a cada dois anos no Brasil, nesta edição tem em pauta cinco eixos centrais: Promoção e Universalização dos Direitos, Proteção e Defesa no Enfrentamento das Violações, Fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos, Participação de Crianças e Adolescentes, e Gestão da Política.
Esses tópicos nortearam os trabalhos nas etapas regionais. “O interessante deste processo é a pactuação que começa no município. A etapa municipal se torna talvez até mais importante do que a estadual. Agora estamos fazendo o envio destas diretrizes consolidadas para as análises das delegações”, esclarece a subsecretária.
Entre os dias 7 e 10, as diretrizes serão retomadas com a perspectiva de que, através do debate em nível nacional, se definam mecanismos para o combate às variadas formas de violência a que crianças e adolescentes estão expostos, numa realidade onde 46% das mortes na adolescência são causadas por homicídios, segundo o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), desenvolvido no âmbito do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens (PRVL).
O objetivo é que a VIII Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente gere como resultado dois documentos relevantes ao tema dos direitos da criança e do adolescente. O primeiro constitui a própria dinâmica da Conferência. Trata-se do documento de teses sobre as “Diretrizes Nacionais da Política de Promoção, Proteção e Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente”, que, por sua vez, servirá de base para a elaboração do Plano Decenal.
Delegação do Rio de Janeiro
Participarão da VIII Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente 45 delegados, todos definidos ao longo das conferências estaduais e na conferência do Distrito Federal. A previsão é de que o grupo seja composto por representantes da sociedade civil, das universidades, da gestão pública e dos conselhos, fóruns e órgãos ligados aos direitos de crianças e adolescentes.
No Estado do Rio de Janeiro aconteceram 85 conferências municipais, nove encontros regionais e diversas conferências livres organizadas pela sociedade civil e por organismos de classe. Entre membros das delegações estará o presidente do Conselho Estadual de Defesa da Criança do Rio de Janeiro, Carlos Nicodemos, coordenador executivo do Projeto Legal.
De acordo com Nicodemos, o principal ponto a ser debatido pelos delegados do estado do Rio está ligado aos royalties do petróleo e sua relação com a garantia dos direitos das crianças. “A tese principal que levaremos à Conferência Nacional é a de que os royalties do petróleo possam ser depositados no fundo dos conselhos de direitos. Macaé, Cabo Frio e Campos concentram 1,2 bilhão em royalties. Em contrapartida, Macaé tem altos índices de homicídios na adolescência; Cabo Frio apresenta números elevados de casos de exploração sexual contra crianças e adolescentes; e Campos traz altas taxas de atos infracionais cometidos por adolescentes em conflito com a lei”, explica.
Para o presidente do Conselho Estadual de Defesa da Criança do Rio a Conferência é um momento ímpar na discussão dos direitos das crianças e adolescentes, justamente porque o encontro se desenha levando em conta a participação de vários atores. “A Conferência Nacional tem a perspectiva de reunir duas mil pessoas. A expectativa é fortalecer o sistema de garantia dos direitos de crianças e adolescentes, tratando as diretrizes do plano decenal de forma conjunta”, ressalta Nicodemos.