Cultura - 28/07/2009 21:55
Roda de Funk no Santa Marta

MC Leonardo, presidente da ApaFunk, durante a Roda de Funk no Santa Marta. Foto: Letícia Serafim
MC Leonardo, presidente da ApaFunk, durante a Roda de Funk no Santa Marta. Foto: Letícia Serafim
Passava das quatro horas da tarde de um domingo nublado no Morro Santa Marta, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Nada anormal, não fosse a presença de diversos grupos e movimentos aguardando o início da tão esperada Roda de Funk. No dia 27 de julho, depois de ser duas vezes cancelada, finalmente aconteceu a Roda. A manifestação ocorreu na Praça do Cantão com presença de moradores e artistas locais, além de integrantes do movimento Funk é Cultura e da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk).

“Esse movimento pra mim é o mais autêntico, porque não é partidário e nem de organizações não-governamentais, são de pessoas da favela. É um movimento de baixo para cima, ao contrário da maioria”, frisou o cartunista Carlos Latuff, que esteve no evento. Antes de iniciar a música, a Cia. Marginal de Teatro, formada por moradores do conjunto de favelas da Maré, apresentou uma peça, em que criticava a relação das esferas públicas e da sociedade civil com as favelas e periferia. O jovens atores encenaram ações policiais, investidas do estado e ainda a presença constante da igreja. Emocionou. “Meu nome é Walace Lino, meu desejo é não ter que ligar pra minha mãe para saber se posso ir para casa”, resumiu o integrante da Cia. Marginal, sobre os confrontos dentro das comunidades e os problemas que trazem para os moradores.

Em um outro momento a energia elétrica da praça caiu. Mesmo sem microfone, MC Leonardo, presidente da Apafunk, puxou o conhecido Rap da Felicidade. Os presentes acompanharam o MC e um coro afinado e militante passou a ecoar pelos becos que partem da Praça do Cantão.

Durante toda a noite, Leonardo fez questão de lembrar que a atividade tinha o objetivo de chamar a atenção para a proibição das manifestações de cultura popular em comunidades que foram recentemente ocupadas por forças policiais. A ocupação do Santa Marta é tida como modelo e já foi reproduzida em outras comunidades. Além da presença da polícia, a favela ocupada é contemplada com uma série de serviços públicos voltados para a melhoria de vida dos moradores. No entanto, em muitos casos, a ocupação prevê também proibições. Foi por conta disso que a Roda do Santa Marta foi impedida por duas vezes de acontecer.

O que se espera é que as proibições façam parte do passado. A Roda de Funk é uma experiência a ser apoiada e exaltada, não só como manifestação cultural, mas como forma legítima de organização dos moradores dos espaços populares.

Leia o artigo “Funk: agoniza, mas não morre”

Leia o Editorial Paz Sem Voz é Medo

Leia a nota da ApaFunk sobre o cancelamento da Roda de Funk

Leia o Manifesto do Movimento Funk é Cultura

Leia o artigo "O funk no contexto da criminalização da pobreza", de Adriana Facina e MC Leonardo

 

Veja o vídeo relacionado a esta matéria.

 

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