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Núcleo de Documentação e Informação Maria Amélia Belfort.

Núcleo de Violência e Direitos Humanos Luiz Cláudio Rodrigues

  • Programa “Rotas de Fuga”

    Núcleo de Formação Carlos Nelson dos Santos

  • Conexões de Saberes

    Núcleo de Comunicação

  • Escola Popular de Comunicação Crítica
  • Imagens do Povo

    Núcleo de Avaliação e Monitoramento

    Núcleo Administrativo


  • Núcleo de Documentação e Informação Maria Amélia Belfort.

    O Núcleo de Documentação e Informação Maria Amélia Belfort tem como objetivos centrais constituir-se como um centro de referência na formação de jovens pesquisadores e lideranças oriundas das favelas do Rio de Janeiro; sistematizar dados de variadas ordens sobre as comunidades populares e desenvolver um conjunto de estudos, sistemáticos e ordenados, que subsidiem a produção de políticas públicas voltadas para os interesses fundamentais dos moradores dos espaços populares. Ela vem buscando se articular com experiências afins em outros estados do Brasil, na perspectiva de constituir uma conexão técnica e social que contribua na otimização da ação social de grupos comunitários.

    A sede está localizada no Bairro Maré, conjunto de 16 comunidades populares que abrigam 132 mil habitantes. Ela se materializa como um marco simbólico de afirmação das comunidades populares como lugares da produção do conhecimento, da troca de saberes, do aprendizado, individual e coletivo, e do desenvolvimento de pesquisas como exercício da cidadania, buscando superar as imagens estereotipadas das favelas como territórios da violência, da miséria e da ausência.

    O nome de Maria Amélia Belfort é uma síntese desses marcos. Moradora, durante muitos anos, da comunidade de Nova Holanda e oriunda da favela Praia do Pinto – destruída no governo Carlos Lacerda, em 1962, Maria Amélia marcou a história do movimento comunitário da Maré. Sua atuação na criação do Grupo de Mulheres local, sua vinculação com grupos políticos que combatiam a ditadura e seu pioneirismo na organização de formas coletivas de luta comunitária tiveram um peso significativo nas subseqüentes lutas dos moradores locais por melhores condições de exercício da cidadania. Nesse sentido, ela serviu de referência para várias mulheres que, posteriormente, dirigiram o movimento popular local.

    A Amélia Belfort assumirá a qualidade de núcleo irradiador das informações para dentro das comunidades e para os cidadãos e cidadãs da cidade, mobilizando para isso um conjunto de atividades (seminários, palestras, cursos, oficinas), disponibilizando o acervo para consultas presencias e virtuais, elaborando um boletim informativo mensal e o Site Infovias das Favelas. Portanto, a sua estrutura se configura como uma ampla rede de comunicação social e como um instrumento necessário de produção e socialização do conhecimento e da cultura populares.

    Cabe ressaltar, ainda, que a Casa, na qualidade de núcleo articulador da produção e socialização de conhecimento, será também um recurso importante para a proposição de políticas públicas. Isto porque nela também serão reunidos diagnósticos que subsidiem o desenho e o conteúdo destas políticas e, sobretudo, pela diversidade qualitativa de informações que a Amélia Belfort abrigará, em função da variedade de olhares e saberes próprios ao seu acervo.

    Apoio:

    Furnas Centrais Elétricas S.A.

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    Programa “Rotas de Fuga”

    Viabilizado a partir da articulação de inúmeras organizações nacionais e internacionais, o Programa "Rota de Fuga" - Ações integradas para crianças e jovens empregados no tráfico de drogas e seus familiares - possui dois objetivos fundamentais:

    • Formular uma análise ampliada sobre as práticas características dos atores envolvidos na rede social do tráfico de drogas no Rio de Janeiro e sobre como esta vem se desenvolvendo.

    • Elaborar metodologias que auxiliem na prevenção da violência contra crianças e adolescentes na área urbana e na criação de alternativas sustentáveis para o seu enfrentamento, em particular o emprego de crianças no tráfico de drogas.

    A partir desses objetivos, o programa vem se materializando em quatro frentes de ação: um trabalho de pesquisa denominado "Trajetória social de crianças e jovens empregados no tráfico de drogas do Rio de Janeiro"; o projeto denominado "Novas alternativas", que busca criar e aplicar uma metodologia dedicada à geração de alternativas sociais para crianças e jovens empregados no tráfico de drogas; um terceiro projeto, denominado "Rede de apoio integral a famílias socialmente vulneráveis"; por fim, um quarto projeto, voltado para a materialização de ações de sensibilização da sociedade em relação ao caráter do problema e a necessidade desta buscar soluções para ele.

    A primeira ação, que visa traçar um perfil sistemático sobre as condições objetivas de vida das crianças e adolescentes envolvidos com o trabalho no tráfico de drogas começou a ser desenvolvido em 2001, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho. A falta de informações mais precisas sobre as condições de vida de milhares de crianças e jovens hoje empregados no tráfico faz com que as iniciativas voltadas para a prevenção, criação de alternativas para os já empregados e as ações de redução de danos sejam dominadas, em geral, pelo voluntarismo e pela intuição. Assim, faz-se necessário que as instituições e pesquisadores dedicados ao tratamento do problema ampliem seus esforços de apreensão da dinâmica do tráfico, as vivências dos seus atores e a criação de proposições para a redução, pelo menos, de sua letalidade individual e social.

    O projeto de estudos vem sendo desenvolvido a partir do desenvolvimento de entrevistas com atores envolvidos com o tema, levantamento e análise de experiências e formação de pesquisadores capazes de trabalhar com o tema. Com isso espera-se superar o conjunto de especulações que sustentam as políticas públicas voltadas ao enfrentamento do tráfico de drogas bem como humanizar as crianças e adolescentes ali envolvidos, visto que em geral esses são tomados como “bandidos que devem morrer”. Esse tipo de representação legitima e contribui para o aumento das mortes de adolescentes em confrontos armados, a maior parte deles com a polícia.

    A segunda e a terceira vertentes do programa Rotas de Fuga começaram a ser implementadas a partir do segundo semestre de 2004, e conta com o apoio da Organização Internacional do Trabalho, da ICCO e do UNICEF. A fase de preparação dessa etapa, mais voltada para a intervenção e sistematização da metodologia de intervenção, vem sendo realizada a partir da articulação de inúmeros atores que atuam em diferentes frentes no combate ao tráfico de drogas, como o Poder Público e ONGs. Essas ações de articulação vêm sendo encaminhadas junto ao Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e de Proteção ao Trabalhador Adolescente. A proposta é que as ações implementadas pelo Programa Rotas de Fuga sirvam para o fortalecimento dos atores envolvidos, em particular o referido Fórum. O resultado esperado nessa etapa do programa é não apenas a prevenção e retirada de crianças e adolescentes do tráfico de drogas, mas a formação e fortalecimento de uma rede que promova e assegure os direitos das crianças e adolescentes envolvidos, direta ou indiretamente, com essa rede criminosa.

    Por fim, o projeto de sensibilização objetiva difundir a perspectiva que problemas como o emprego de crianças no tráfico de drogas e a violência urbana são importantes demais para ficarem apenas na mão das forças de segurança. A sociedade civil deve se organizar para buscar alternativas. O desvelamento do fracasso da ação policial das últimas décadas, que só fez aumentar a violência; a defesa dos direitos humanos no tratamento da criminalidade e a realização de ações de mobilização para a valorização da vida são os eixos do presente projeto. Ele está se materializando na produção de um documentário sobre o assassinato de adolescentes e jovens no Brasil; um livro de fotografia e poesia sobre o mesmo tema e uma exposição fotográfica. Além disso, estão sendo realizados encontros estaduais e nacional sobre a busca de alternativas para o fenômeno da violência contra a criança e o adolescente, além da realização de uma campanha global sobre o tema.

    Apoio:

    Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento - ICCO

    Organização Internacional do Trabalho - OIT

    UNICEF

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    Conexões de Saberes:

    O projeto começou a ser desenvolvido a partir de dezembro de 2004, em parceria com o Ministério de Educação, inicialmente em cinco universidades federais. A partir de abril de 2005, está sendo expandida para outras nove. O Observatório de Favelas é responsável pela sua implantação, monitoramento e avaliação.

    A criação de uma rede de articulação, no interior da universidade, dos jovens moradores de espaços populares é o eixo fundamental deste projeto. Esta conexão de articulação intra-universitária se inspira na Rede universitário de Espaços Populares – RUEP, articulação criada pelo Observatório de Favelas no interior de um conjunto de favelas do Rio de Janeiro. A rede foi construída mediante o desenvolvimento de projetos específicos; de estudos orientados de metodologia de pesquisa e de formação técnica. Seus principais objetivos eram dois: em primeiro lugar, criar condições para que a realização de um processo regular de monitoramento e avaliação do impacto das intervenções públicas, sobretudo as dirigidas para a infância e juventude, nas comunidades populares. Em segundo lugar, o projeto visar formar novos quadros técnicos sociais nesses territórios, capazes de se constituírem como lideranças comunitárias de um novo perfil e qualidade.

    O que ficou evidente no desenvolvimento do trabalho do Observatório, contudo, é que as ações desenvolvidas precisam se materializar também no território da universidade. Investir na mudança da política de bolsas estudantis, na organização do currículo, da carga-horária e do horário das aulas; na forma de desenvolvimento das pesquisas e de formação do pesquisador e ações complementares, que auxiliem os jovens favelados a superarem as deficiências presentes em sua formação são ações essenciais para democratizar a universidade e garantir a permanência desses estudantes da universidade.

    Isso porque, segundo dados da UFRJ, maior universidade do Brasil, metade dos alunos deixam o curso após o final do primeiro ano de estudos, pois não conseguem superar os desafios que se apresentam no cotidiano da vida universitária. O que significa dizer que a imensa força social dirigida para a democratização do acesso ao ensino superior vem sendo bloqueada devido à preservação de uma estrutura institucional universitária inadequada para o novo perfil dos estudantes universitários.

    Assim, a construção de uma rede no interior da universidade, nos termos desenvolvidos pelo Observatório de Favelas nas comunidades populares, é a finalidade maior do projeto. Assim, grupos de estudantes moradores em favelas e outros espaços populares foram organizados em núcleos criados nas universidades integrantes do Projeto Conexões de saberes. Estes alunos estão integrados em uma rede comum, envolvendo as 14 universidades federais participantes do projeto. A rede é articulada, inicialmente, por dois coordenadores locais, tendo um deles titulação de doutor. Cabe a estes, dentro outras iniciativas, envolver outros docentes e pós-graduandos dedicados a pesquisas voltadas para os grupos sociais populares, de forma a criar uma rede voltada para esse campo territorial e social na universidade.

    Os articuladores locais, juntamente com o Coordenador Nacional do Projeto, integrante do Observatório de Favelas, formam a sua Coordenação. Cabe a este fórum sistematizar e propor iniciativas que melhorem as condições de permanência, com qualidade, dos alunos de origem popular nas universidades. Da mesma forma, ele indica iniciativas que ampliem as condições de inserção, de forma integrada, da universidade nos territórios populares. Cria-se, dessa forma, uma ampla articulação de estudos e iniciativas.

    Nesse sentido, o projeto Conexões de Saberes visa quatro objetivos fundamentais:

    • Formar uma articulação de universitários oriundos dos espaços populares de cinco regiões metropolitanas brasileiras, contribuindo para que eles sejam capazes de intervir de forma qualificada em diferentes campos sociais, dentre os quais as universidades e seus territórios de origem e/ou moradia;

    • Realizar diagnósticos e estudos aprofundados sobre a estrutura universitária e o tratamento conferido aos estudantes de origem popular, inclusive nos cursos de pós-graduação. A partir do diagnóstico, os integrantes do projeto deverão propor medidas que criem condições para o maior acesso e permanência, com qualidade, dos estudantes oriundos das favelas e periferias nas instituições de ensino superior.

    • Estimular a criação de metodologias, com a participação prioritária dos jovens universitários, dedicadas ao monitoramento e avaliação do impacto das políticas públicas desenvolvidas nos espaços populares, em particular as da área social; para o mapeamento das condições econômicas, culturais, educacionais e de sociabilidade como ponto de partida para a elaboração e para a realização de projetos de assistência integral aos grupos sociais em situação mais crítica de vulnerabilidade social, em particular as crianças e adolescentes.

    • E sobretudo, a partir da interface entre os três primeiros objetivos, o projeto Conexões de Saberes deverá contribuir na formação de novas lideranças sociais, capazes de articularem competência técnica com o compromisso político de combater a desigualdade social que caracteriza os diversos territórios brasileiros, em particular as grande metrópoles.

    Realização:

    PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

    Ministério da Educação e Cultura – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD.

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    Escola Popular de Comunicação Crítica:

    Articulada pelo Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, a Escola popular de Comunicação - EPOCC – tem como parceiros a Escola de Comunicação da UFRJ; a Pró-reitoria de Extensão da UFF; o Canal Futura; o Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro; a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo; a associação cultural Afro-reggae; a Associação Brasileira de Produtores de Vídeo. Estas entidades formam o Conselho Gestor da Escola.

    Seu objetivo maior é contribuir para a ampliação do exercício da cidadania dos adolescentes e jovens de comunidades populares do Rio de Janeiro, através:

    • Do seu acesso à diferentes linguagens no campo de comunicação e da cultura, que interajam com as que lhe são usuais.

    • Da ampliação de seu capital cultural, social e simbólico.

    • Da sua inserção qualificada no mercado de trabalho.

    • Da extensão do seu tempo e espaço existenciais.

    Para isso, ela se propõe a:

    • Estabelecer ações integradas de caráter sinérgico entre as atividades de geração de renda, produção cultural e comunicacional, além do reconhecimento da identidade urbana e cidadã dos moradores dos espaços populares;

    • Desenvolver cursos de caráter profissionalizante no campo da mídia impressa; da mídia em internet; da produção em Vídeo, em Fotografia e em rádio comunitária;

    • Oferecer oportunidades de acesso a cursos básicos no campo da Informática e de Línguas Estrangeiras aos integrantes dos cursos;

    • Estimular e orientar o público-beneficiado para cursos de aprofundamento cultural, educacional e profissional;

    • Estimular a criação de núcleos locais de comunicação e cultura nas comunidades dos integrantes da Escola;

    • Encaminhar ao mercado de trabalho - a partir de parcerias com empresas públicas e privadas, cooperativas populares e outras entidades afins - os integrantes do projeto que busquem atividade imediata de geração de renda.

    • Produzir, registrar, sistematizar e difundir práticas cotidianas presentes nas comunidades populares, com destaque para as práticas culturais.

    • Estabelecer parcerias com entidades que contribuam para a efetivação dos objetivos acima.

    As áreas profissionalizantes a serem oferecidas serão:

    Vídeo - apresentação, discussão e prática das principais linguagens e formatos audiovisuais: do roteiro à direção na produção em vídeo, assim como as bases técnicas para a produção.

    Fotografia - conceituação e manuseio de equipamentos fotográficos; trabalho prático com a imagem criada e a imagem projetada. O direito do autor e o da imagem. Fotografia documental e a do autor.

    Mídia Impressa - introdução à comunicação escrita; elaboração de um projeto gráfico desde a idéia até a concretização.

    Rádio Comunitária - introdução à comunicação oral e sua manifestação nos grupos sociais populares; apresentação, discussão e prática das principais linguagens e formatos orais: do roteiro à direção na produção em rádio, assim como as bases técnicas para a produção.

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    Imagens do Povo

    O Imagens do Povo é um centro de documentação, pesquisa e formação de fotógrafos e documentaristas populares, criado pelo Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, e coordenado pelo fotógrafo João Roberto Ripper. Constitui-se a partir da Escola de Fotógrafos Populares, do Banco de Imagens e da Agência de Fotografias.

    O objetivo maior do projeto é, através do registro da realidade vivida nas periferias e favelas do Brasil e da constituição de um acervo de imagens sobre os diferentes grupos e movimentos populares do país, colocar a fotografia a serviço dos direitos humanos. Tudo isso através de um jornalismo parcial e comprometido, nascido do convívio com as comunidades documentadas, aprendendo com elas a essência de suas vidas.

    Este projeto parte da idéia de que democratizar a fotografia é derramar um olhar humano sobre a sociedade. Neste sentido, o que se pretende é trabalhar para que a fotografia seja um instrumento de arte, informação e de formação colocado a serviço do resgate da dignidade das classes populares e da ampliação dos direitos humanos. Isso realizado através da produção e da difusão de imagens da realidade brasileira, especialmente das populações mais pobres que vivem nas periferias e favelas das grandes cidades, a partir do olhar de seus próprios moradores.

    Isso porque acreditamos que a identificação e a busca de uma sociedade plural, fraterna e solidária passa, também, pelo ato de exercitar um olhar cúmplice dos que estão enfrentando as dificuldades de um cotidiano marcado por adversidades, mas rico de criatividade e ações solidárias. Buscamos materializar uma fotografia engajada e solidária, capaz de denunciar a dificuldade da existência dos que estão oprimidos, mas destacar também sua dignidade, sua sensualidade e beleza. A aceitação da diversidade e a identificação com o outro são aspectos centrais para se superar uma cultura individualista e centrada no consumo como um fim em si. Por isso, a conscientização e a transformação social implicam também um pacto subjetivo que reconheça a beleza e a força do povo brasileiro.

    1. Escola de Fotógrafos Populares Imagens do Povo

    O papel da Escola é formar jovens no ofício da fotografia, articular seu ingresso no mercado de trabalho, desenvolver um trabalho de registro dos espaços populares, especialmente, no Rio de Janeiro, e, por fim, difundir outras possibilidades de percepção desses locais e de seus moradores.

    O objetivo do curso é o de resgatar a história das comunidades populares e dos processos vividos cotidianamente pelos moradores de diferentes comunidades do Rio de Janeiro. Em especial, oferecer um instrumento de renda para um conjunto de jovens oriundos de favelas cariocas, além de estimular a afirmação de sua identidade positiva e dos moradores destes espaços.

    A Escola de Fotógrafos iniciou suas atividades em maio de 2004, com aulas diárias, realizadas todas as manhãs, de 08:30 às 12:30h, na Casa de Cultura da Maré. Foram quatro meses de curso intensivo, totalizando 320 horas/aula voltadas para a formação em documentação fotográfica, edição, escaneamento e arquivamento digital. Essa primeira turma contou com o apoio de FURNAS Centrais Elétricas além de ter sido realizado em um espaço cedido pelo Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré - CEASM.

    Vinte e dois alunos, com idade entre 18 e 40 anos, foram formados nesse primeiro momento, todos residentes em comunidades populares. Alguns alunos eram vinculados a instituições existentes nas suas comunidades. Assim, a inserção profissional dos mesmos tornou-se mais ágil, visto que, após o curso, continuam trabalhando em projetos desenvolvidos por essas instituições. Os demais alunos já se encontram realizando alguns registros fotográficos remunerados.

    Como trabalho de conclusão do curso, cada aluno construiu o seu plano de documentação, em sua comunidade de origem, o qual deveria constar os gastos necessários com filmes e revelação e as estratégias de captação de parceiros para a realização do seu mini-projeto. Entre os temas escolhidos pelos alunos estão: trabalho da mulher, religiosidade, diferentes “tribos” culturais e esportivas, malabaristas de sinais, aspectos gerais das favelas, como becos e vielas, escolas de dança, grupos de dança, grupos de teatro, dentre outros. Os alunos se revezaram entre os registros, a edição, o escaneamento e o tratamento das imagens. O trabalho de edição foi discutido e acordado com toda a turma. Esse material se encontra disponível na Agência de Fotografias.

    2. Agência Imagens do Povo

    O papel da Agência é auxiliar na transformação da realidade social através do trabalho de formação de fotógrafos que entendem a documentação jornalística como um elemento transformador, onde a produção e difusão de imagens ajudem os moradores de favelas e periferias em sua luta por educação, paz, trabalho, moradia e emprego; que ajude os trabalhadores rurais em processos de desapropriação de terras; os índios na demarcação de terras indígenas; que denuncie o trabalho escravo e infantil nas fazendas da Amazônia, nas carvoarias, nos canaviais, nas plantações de sisal, nas pedreiras espalhadas em várias partes do Brasil.

    O direito de utilização das fotografias é vendido como em qualquer agência de fotografias, recebendo o autor 50% do valor da venda. O valor de referência é o da tabela de preços mínimos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Jornalistas. No caso de pacotes, onde os clientes pagam uma quantia fixa por mês para a utilização de um determinado número de fotos, o pagamento ao fotógrafo é proporcional ao número de fotos utilizado dentro do novo valor de referência.

    Os recursos financeiros se destinam à ampliação do acervo, à formação continuada dos fotógrafos formados pela Escola de Fotógrafos Populares Imagens do Povo e à manutenção do projeto. O Banco de Imagens está disponível no site: www.imagensdopovo.org.br.

    Os fotógrafos que participam do Projeto cedem seus direitos e concordam com a doação ilimitada de fotografias às organizações sociais que não disponham de recursos para o pagamento de direito autoral. O critério de avaliação dos beneficiados é de responsabilidade do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro.

    Coordenação Geral:

    João Roberto Ripper

    Apoio:

    Furnas Centrais Elétricas S.A.

    UNICEF

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    Rua Teixeira Ribeiro, 535. Parque Maré   Maré. Rio de Janeiro -RJ - Cep: 21044-251
    contato@observatoriodefavelas.org.br   Tels: 55 21 3104-4057 / 55 21 3888-3220